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Método, cuidados e fontes

Como o número foi calculado

  • A string de respostas de cada participante foi comparada ao gabarito do caderno que ele fez, item a item, pelo ITENS_PROVA. A habilidade vem do campo CO_HABILIDADE.
  • Entra quem esteve presente na prova da área. Resposta em branco (.) e dupla marcação (*) contam como erro. Não há peso amostral no ENEM: cada participante conta um.
  • Fica de fora o item anulado pelo Inep, que foi contado como certo para todo mundo e não mede nada.
  • Entra só a aplicação regular. A reaplicação, a prova das pessoas privadas de liberdade e as versões adaptadas ficam de fora, porque são populações diferentes e o tamanho delas muda de uma edição para outra.

Cuidados na leitura

  • O ENEM não é censo, e a entrada é por decisão do aluno. Diferente do Saeb, ninguém é obrigado a fazer a prova. Quem aparece é um subconjunto de quem está no ensino médio, e um subconjunto escolhido por quem se inscreveu, não sorteado.
  • Nenhuma conta estatística conserta isso. O que se mede é a oscilação do número dentro do grupo que apareceu, e não o quanto esse grupo difere de quem ficou de fora. Uma cidade onde só os melhores alunos se inscrevem tem número alto e estável, e isso não o torna representativo da cidade.
  • Há duas bases, e elas não se misturam. "Município da Prova" conta quem compareceu, no estado onde fez o exame, e não tem município: o Inep concentra os locais de aplicação em cerca de um terço das cidades, então o município da prova atribuiria a pessoa ao lugar errado. "Município da Escola" usa o estado e o município da escola, alcança quase todos os 5.570 municípios e cobre de 27% a 39% dos presentes.
  • Na base da escola, o total do estado é a soma dos municípios dele, então os números fecham entre os dois níveis.
  • A base da escola muda de tamanho entre 2023 e 2024, de 752 mil para 1,25 milhão de participantes, por mudança de coleta do Inep. Comparar um município antes e depois dessa quebra compara fatias diferentes da mesma cidade.
  • Município pequeno tem poucos participantes: a mediana foi de 18 em 2021 e 61 em 2025. Abaixo de 30 a página avisa, porque com esse tamanho o percentual de uma habilidade oscila muito.
  • O corte por rede só existe na base da escola, porque só quem declara a escola tem rede. No município o grupo fica pequeno demais para dividir, então a rede vale até o estado.
  • Metade das habilidades tem um item só na edição. Nesses casos, o percentual da habilidade é o percentual daquela questão.
  • As questões da prova mudam a cada ano. Parte da diferença de acerto entre um ano e outro vem de a prova ter ficado mais fácil ou mais difícil. Por isso a comparação entre anos usa a nota equivalente.
  • Nota equivalente: com os parâmetros de cada questão na TRI (dificuldade, discriminação e chance de acerto no chute), procura-se o nível de proficiência em que uma pessoa acertaria, em média, o percentual observado naquela habilidade. Esse nível é convertido para a escala de 500 de média e 100 de desvio. É uma aproximação, não a nota oficial do Inep. No total de cada área, entram todos os itens da área. Não é calculada quando inglês e espanhol têm questões diferentes, nem quando o acerto fica perto do chute ou perto de 100%.
  • A nota equivalente vale dentro de uma área. Cada área do ENEM tem a própria escala, então comparar a nota de Matemática com a de Humanas não diz nada.

Fontes

  • Inep. Microdados do ENEM de 2021 a 2025: ITENS_PROVA_<ano>.csv e o arquivo de resultados de cada edição.
  • Inep. Matriz de Referência ENEM, no documento matriz_referencia_enem.pdf que acompanha cada pacote de microdados.
  • Contornos das UFs: pacote @svg-maps/brazil (Victor Cazanave), licença CC BY 4.0.